Beth Coe Maeda

Porcelana




As porcelanas cruzaram os mares, nos tempos de Marco Polo, para intrigar os ceramistas continentais que ainda trabalhavam com pastas de baixa cozedura, de aparencia porosa e cores que variavam do vermelho ao amarelado. Era o descobrimento da rota maritima das Indias levando à Europa uma das maiores conquistas da historia da cerâmica. Da China vinham objetos perfeitos, de refinado sentido estetico que associavam beleza e utilidade. Encantados, os alquimistas iniciaram pesquisas tentando descobrir os segredos daquele material. Uma pasta que depois de queimada era isenta de porosidade, sinterizada, impermeavel, semi-transparente e de uma cor muito branca, que conforme a composição, produzia um som agradavel e profundo. O segredo estava na combinação de caolin, quartzo e feldspato (que pode ser substituido por cinzas de ossos ou nefelinas). O elemento principal é o caolin (chegando a 50%) que dá à pasta, depois de cozida, a cor muito branca. O feldspato age como fundente e durante a queima dissolve o caolin e o quartzo. Essa transformação resulta em uma massa impermeavel e vitrea que pode ser translucida se trabalhada em baixa espessura.

Os limites criticos de humidade dificultam o manejo da porcelana, mas a beleza e o colorido dos esmaltes compensam os esforços.

Na pasta crua se pode fazer incisões decorativas que tambem podem ser realçadas com um verniz transparente. O vidrado deve refletir a qualidade da massa, por isso pode ser aplicado menos espesso que o vidrado no gres. As cores delicadas e claras são as mais adequadas para a porcelana, podendo ser aplicados esmaltes coloridos mate, opacos, sendo mais apreciados os transparentes.

Com algumas excessões as queimas acontecem em duas fases: uma primeira entre 900 e 1000ºC para biscoitar a peça, permitir o manuseio e reduzir o risco de quebras na fase de decoração. Uma segunda, que submete a peça a temperaturas entre 1250 e 1460º, fará com que o esmalte deixe de ser apenas uma camada vitrificada sobre a superficie, para ser uma combinação entre massa e vidrado que se fundem entre si. Em outros casos, faz-se uma primeira queima a uns 1300º e uma segunda, decorativa em torno de 1100º.


Porcelana de Ossos (bone china)

Foi na Inglaterra que surgiu, durante a ultima metade do seculo dezoito, um material novo a que se chamou "bone china" ou porcelana de ossos, onde osso calcinado de boi, era um dos principais componentes. Essa estranha pasta era dificil de obter, tinha pouca plasticidade, baixa resistencia quando crua, sofria deformação na queima e trazia dificuldades para controle da cor. Compensava tudo isso transformando-se em uma porcelana muito resistente e translucida. O osso calcinado dava a essa pasta, de preparação muito especial, translucidez, brancura e dureza, atuando como fundente e transformando-a em substancia vitrea à temperaturas superiores aos 1240ºC. Os limites de fusão dessa pasta são extremos. Acima da temperatura, perde a forma ou se desfaz. Antes de cozer-se, tem muito pouca firmeza e não se deixa trabalhar. Nesse caso faz-se uma primeira queima para biscoito, na temperatura mais alta e depois se vitrifica em segunda queima entre 1040 e 1080ºC. A bone china é composta de aproximadamente 50% de osso calcinado, 25% de caolin e 25% de feldspato.

Alguns detalhes de testes em massas de porcelana e bone china: